segunda-feira, abril 24, 2017

La vie pas en rose

(René Magritte)

Sabia que estava vivo. O coração batia, ritmado, e o sangue coloria-lhe as veias que lhe mapeavam o corpo num emaranhado de linhas que, absurdamente, ao invés de vermelhas apareciam azuis na pele branca. Lembrou-se como se cortara com a navalha do pai, uma vez, quando miúdo, para ver se tinha sangue azul. Sorriu. Azul, como o que diziam ter a Rosarinho de Albuquerque, que se sentava na carteira à frente da sua nas aulas de Francês da Madame Rose. Era linda, a Rosarinho! Pena que olhasse todos com um ar tão… altivo.
Sabia que estava vivo, mas não era capaz de conjugar o verbo être no passé composé e a Rosarinho ria-se, todos se riam. Até o Petit Patapouf parecia troçar, em Francês, claro!
- Alberto! chamou uma voz feminina.
Quem seria aquela? Lembrava-lhe vagamente alguém. Talvez uma colega da turma? Ah! Quase de certeza que era uma daquelas que se sentavam lá atrás e nunca queriam ir ao quadro. Sim, uma dessas.
- Alberto! Então? Trouxe-te torta de cenoura. Tu sempre gostaste da minha torta de cenoura. Raro foi o fim de semana da nossa vida em comum em que não a fiz para sobremesa. Estás a falar Francês, homem? Para o que te havia de dar!



35 comentários:

  1. Então? Ninguém disse ao rapaz que a Rosarinho de Albuquerque era uma boa cozinheira de tortas? O rapaz chegou a descobrir-lhe o sangue azul ou era tudo cunbersa? Posso tar enganada mas apostava em como a Rosarinho engatou o Alberto.
    :)

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    1. Ele não sabe, mas a Rosarinho anda por perto!

      Beijocas, KK :)

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  2. Muito me engano ou o Petit Patapouf era o cão do Robert e da Nicole? :)

    Beijos, Marioska (Aparece mais, vá lá...) :)

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    1. Claro que é esse Patapouf! :D

      Beijocas, Azulinha (vida demasiado ocupada. obrigada pelo mimo) :)

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  3. As minhas memórias já não são o que eram... mas do Petit Patapouf lembro-me perfeitamente! Só não me recordo se o «Je Commence» era o meu livro de francês ou se já tinha sido o da minha irmã e eu acabei por estudar por ele antes do tempo.

    (espero que as previsões meteorológicas se enganem e que, ao contrário do previsto, o "céu não chore" durante o próximo fim de semana)


    Beijos com memória
    (^^)

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    1. Um cão muito lembrado, este!

      Beijos, rapariga dos jardins :)

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  4. Feliz aniversário Maria TU

    http://culturainquieta.com/es/erotic/item/9596-sugerentes-fotografias-de-formas-femeninas-vestidas-unicamente-con-luz-desnudos.html

    Beijinho

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    1. Desclpa não é esse link eheheheh

      é este


      https://metamorphosis-mussitografias.blogspot.pt/2017/04/maria-tu.html

      Parabens minha amiga
      beijinho

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    2. Mil obrigadas!

      Beijocas grandes, noname :)

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  5. A propósito, lembraste-me que tenho um bolo (não torta) de cenoura barrado a chocolate na prateleira de cima do frigorífico... vou-me lá

    Au revoir

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    1. Ai, como eu gosto desse bolo!!!

      Beijinhos, Rogério :)

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  6. Love this post.
    You have the best taste.
    xx

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    1. Thank you, Rick!
      You are a fantastic follower. :)

      Kisses

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  7. Votos de um dia Feliz, junto de quem te quer ben.
    Beijinho Maria.

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    1. Obrigada, linda Sandra!

      Beijocas grandes :)

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  8. Muitos parabéns, querida Maria. Um ano com muitos dias felizes. :)

    Um beijinho

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    1. Muito obrigada, querida Miss Smile! Que os tenhas também!

      Beijos :)

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  9. Feliz Ano Novo!
    Maria Liberdade Tu
    Um beijinho :)

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    1. Obrigada, Té!
      O ano já avançou e bem. :)

      Beijos

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  10. Maria, a memória do coração elimina as coisas más e amplia as coisas boas:)

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    1. Que memória boa, essa, Legionário!

      Beijinhos :)

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  11. Conjugações difíceis: passé composé...
    A propósito, por onde andará Rosarinho? A Rosarinho. Não imagino, se calhar, por aí sem que a reconheça.
    Pudim d'ovos!

    Gostei tanto da tua composição, tanto q'até.

    Bj.

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    1. E eu gostei tanto do teu comentário q'até! :D

      Beijinhos, Agostinho :)

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  12. adorei o teu blog! ganhaste uma nova seguidora!
    passa no meu e diz o que achas!
    beijinhos
    http://eyeelement.blogspot.pt

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  13. Memórias para contar e reviver... Gostei imenso do texto.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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    1. Muito obrigada, Graça. Sempre gentil!

      Beijos :)

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  14. Um conhecido meu relatou-me a sua perplexidade, perante a confusão da sua mãe querer voltar para casa quando já há muitos anos, decidira ela ir viver para um lar.
    Disse-lhe que eu acreditava que a chamada demência, o chamado Alzheimer, possivelmente são mecanismos neuronais de protecção que nos permitem um corte com os laços efectivos e a ligação ao quotidiano com o objectivo de emotivamente sofrermos menos. A sua mãe faleceu 3 meses depois. Fiquei muito abalado.

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    1. Há sempre uma tristeza que nos toma perante alguém que conhecemos desperto e, de repente, fica perdido. Quem sabe a tua explicação está certa, Luís?

      Beijinhos

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